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Final Feliz de um Gato Maracajá

Carlos Prudente
muriqui

Classe: Mammalia
Ordem: Carnívora
Família: Felidae
Gênero: Leopardus
Nome popular: Gato-maracajá
Nome científico: Leopardus wiedii
Distribuição geográfica: América Central e América do Sul
Habitat: Florestas
Hábitos alimentares: Carnívoro
Reprodução: Gestação de 78 a 84 dias
Período de vida: Aproximadamente 13 anos



O gato-maracajá, mbarakaja, gato em Tupi guarani, descrito por Schinz, 1821 é um felino silvestre brasileiro, seu tamanho varia entre 70 a 110cm, incluindo o rabo que é longo, chegando a 51cm, o que ajuda o seu equilíbrio em suas escaladas nas árvores. A adaptação à vida arbórea lhe confere tal flexibilidade, que seus tornozelos giram 180°, facilitando sua descida de cabeça para baixo, é um exímio escalador, passando por galhos muito finos. Seu peso fica em torno de 2kg a 6kg. Sua distribuição geográfica estende-se do México ao Nordeste da Argentina e no Brasil. Cheida (2006) menciona a sua presença em todos os biomas brasileiros. Hábil caçador, suas presas são os pequenos mamíferos, aves, frutos, ovos e insetos, capturados no chão ou nas árvores. Confundido muitas vezes com a jaguatirica Leopardus pardalis e o gato-do-mato-pegueno Leopardus tigrinus pode ser muito difícil identificá-lo, principalmente na natureza, algumas de suas características que auxilia na identificação rápida é o rabo muito longo, os seus olhos grandes e saltados.

A insensatez

A foto desse gato-maracajá mostra que a nossa população tinha como tradição o ato da caça e o aprisionamento dos animais. Hoje a insensatez humana perante a natureza espalha a destruição seja pela ignorância, a falta de informação ou por ignorar o risco que corremos. Em meados de 1981 iniciei uma criação de abelhas melíferas (Apis melífera) como hobby, que com o tempo se transformou em um negócio por 27 anos. Certa vez, fora chamado para a retirada de um enxame em um sítio próximo à cidade de Engenheiro Marsilac. Após a remoção ainda durante o dia teria que esperar até a noite para as abelhas se acomodarem e se aquietarem, resolvi então conhecer a localidade. Solicitei autorização ao proprietário do sítio para andar pelas suas terras a fim de fotografar algumas aves. Pessoa calma e gentil, prontamente autorizou e se prontificou a me mostrar seus animais. Ao chegar no galinheiro, ao fundo avistei alguns viveiros e fui me aproximando, foi quando me deparei com uma cena horrível: estavam presos num local apertado e fétido, um macaco-prego, um casal de tucano-de-bico-preto e esse gato-maracajá ainda jovem, e todos assustados. Pela informação do sitiante, ele os tinha capturado ha alguns dias. Contive-me para não blasfemar! Afinal eu era um convidado e por certo ele não sabia o que estava fazendo. Comecei a planejar como salvar estes animais de tamanha crueldade. Iniciei uma conversa com esse novo amigo, sobre as minhas andanças pela natureza e os encontros com os animais, e fui lhe contando sobre os benefícios que eles nos traziam, a beleza de vê-los soltos pela mata e muitos outros assuntos pertinentes que nem eu sei de onde saiu. Conversa vai e conversa vem, já estávamos tomando um café ao cair da tarde junto a um grande fogão de lenha, quando esse Sr com lágrimas nos olhos levantou a caneca de café e disse “ O sinhô me feis incherga a mardade que tem nos home, eu vou sorta esses bicho”. Há! Meus amigos, que alegria ouvir estas palavras! Ele realmente o fez; abriu as jaulas e os animais voltaram novamente à liberdade, de onde nunca deveriam ter saído.

Acredito ser apropriado este relato, pois não gosto de postar fotos de animais em cativeiro, mas esta... valeu a pena!