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De Volta à Mata Atlântica Do Município de Praia Grande

Carlos Prudente
muriqui

Classe: Mammalia
Ordem: Primatas
Família: Atelidae
Gênero: Brachyteles
Nome popular: Muriqui ou Mono-carvoeiro
Nome científico: Brachyteles aracnoides
Distribuição geográfica: Brasil, endêmico da mata atlântica
Habitat: Florestas
Hábitos alimentares: Herbívoro
Reprodução: Gestação de 230 dias
Período de vida: Estudos inconclusivos



O muriqui ou mono-carvoeiro, Brachyteles aracnoides ,do Sul, e o Brachyteles hipoxanthus, do Norte, estão entre os vinte e cinco animais mais ameaçados de desaparecer do planeta, só vivem na mata atlântica e são endêmicos do Brasil,é o maior primata das Américas, sua distribuição original era do sul da Bahia ao norte do Paraná.

Em meados de 2008, passei a observar sons e atividades desconhecidas para essa região (omitirei o local exato, para preservação dos animais), pois a conheço muito bem. Iniciei algumas expedições, às vezes só, outras com meus filhos, para tentar descobrir de que animal se tratava; sendo um local de difícil acesso e muito amplo, eu apenas ouvia os guinchos e grunhidos, sempre muito longe, e não conseguia distingui-los. Passaram-se muitos meses, sumiam e apareciam. Em meados de 2008, passei a observar sons e atividades desconhecidas para essa região (omitirei o local exato, para preservação dos animais), pois a conheço muito bem. Iniciei algumas expedições, às vezes só, outras com meus filhos, para tentar descobrir de que animal se tratava; sendo um local de difícil acesso e muito amplo, eu apenas ouvia os guinchos e grunhidos, sempre muito longe, e não conseguia distingui-los. Passaram-se muitos meses, sumiam e apareciam.

Intensifiquei as buscas e, precisamente no dia 17/5/2010, às 9h35, meu coração quase parou ao depararmos com o bando de muriquis, não acreditava no que via, foi aquela correria, "mas com muita calma", chovia muito, o dia nublado, e como estavam alto nas copas não adiantava flash, coloquei ISO 400 e comecei a fotografar, queria pelo menos registrar a espécie. Contei no momento sete deles, sendo um jovem andando sozinho e outro filhote agarrado à mãe. Percebi uma movimentação próxima de outros, mas sem avistá-los. Continuando a caminhada, deparamos com outros três espécimes, a uns trezentos metros de onde o bando estava, o que me levou a crer ser um grupo de dez animais. O que mais me encantou foi a sua docilidade; em uma das fotos vocês podem notar ele me olhando. Chamei a sua atenção dizendo “Hei, amigão!” e simplesmente ficou a me observar e voltou a comer; no momento da foto não percebi que era uma fêmea, mas tenho certeza de que ela nem se incomodou com minha indelicadeza, foi maravilhoso! Essas foram as imagens que consegui, gostaria de ter tirado do filhote com a mãe, mas não foi possível nesse momento.

muriqui

Nos dias seguintes continuei as buscas para confirmar se esse núcleo era fixo ou estava apenas de passagem. Em 3/6/2010, às 11h20, encontrei-os novamente, fiz uma pequena filmagem, agora, sim, com a mãe e o filhote; eram cinco em uma árvore frutífera e também observei movimentação de outros nas proximidades.

Prosseguindo as explorações, no dia 29/6/2010, às 13h30, encontrei-os novamente em outra árvore frutífera, registrando-os em vídeo. Não sei precisar se era o mesmo bando, estava a uns quatro quilômetros mata adentro com referência ao primeiro encontro, eram oito animais, sendo três fêmeas com filhotes de idades diferentes. O maior deles já faz pequenos passeios longe da mãe e logo volta a suas costas. Em todos os encontros observei a ótima forma dos adultos e jovens.

muriqui

Esse novo bando encontrado, o qual dei o nome de "BANDO CACHOEIRA" é de extrema importância, junto com outros grupos, para a não extinção da espécie. Confesso que hesitei em postar estas fotos, me sinto responsável em expor esse magnífico animal; continuo a pesquisar a existência de outros bandos para formar um senso sobre a espécie . Agora, divido as fotos com vocês, e espero que a responsabilidade de protegê-los também.

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